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Dona Dinorath Figueiredo

Foram por telefone os primeiros contatos. Aparentemente, uma senhora séria, direta e de pouco papo. “Venha me visitar e conversamos melhor; por telefone fica difícil”. Após 1 mês estávamos conhecendo o terreno da dona Dinorath.

No verão amazônico ao fim de tarde, dentro do cacoal, os mucuins (inseto hematófago) são atormentadores. O que nos deixa menos atormentados é saber que eles são os polinizadores do cacau. Foi embaixo de um cacaueiro e com muitos desses mucuins lacerando nossa pele, que dona Dinorath contou como faz para cuidar de 3 mil pés de cacau sozinha e produzir até 3 toneladas de amêndoas de alta qualidade. “Só com pulso firme e muita força de vontade” para ela controlar jovens diaristas em dia de colheita, além de manter uma casa em Manaus com seus 5 filhos e lidar com a distância da família.

Na verdade dona Dinorath faz mais que isso! Simplesmente essa mulher guerreira é uma das maiores produtoras de cacau do rio Madeira. Nos meados de 1970, ela herdou o terreno da família, mas seus irmãos foram para a capital e não quiseram continuar com o cacau. Apenas Dona Dinorath acreditou na atividade e nos contou sobre sua paixão “é amor mesmo; esse cheiro (de cacau) me dá vontade de trabalhar, me traz felicidade”.

Ao primeiro contato foi muito direta e séria, mas o tempo passou e após conhecer as instalações da Na Floresta, dona Dinorath até já ajudou a fabricar o seu próprio chocolate.